sábado, 30 de setembro de 2017

DIRETO DO YOU TUBE – Elvis no palco com... Celine Dion?



Normalmente eu não sou muito fã dessas montagens que juntam artistas vivos com outros já falecidos. Sei lá, é frescura minha... Ou porque não acho legal colocar o astro ou estrela que já não está entre nós em uma parceria com alguém que ele não pôde escolher, ou porque em boa parte das vezes esse tipo de coisa é oportunismo puro. Entretanto, tenho que admitir que fiquei impressionada ao ver esse vídeo, que foi ao ar durante o especial do programa “American Idol” em homenagem a Elvis Presley, em abril deste ano. A partir das imagens de uma famosa apresentação do Rei do Rock, datada de 1968, foi criado um efeito que uniu o cantor à estrela Celine Dion e a um coral gospel (estilo musical que, como todo mundo sabe, teve grande importância na vida dele). O truque é, na verdade, uma versão aperfeiçoada do holograma que impressionou o mundo em 2012 ao “ressuscitar” o rapper Tupac (1971-1996) durante o mitológico show de Snoop Doggy Dogg (não vou aporrinhar você com explicações complexas no momento, mas para entender melhor como funciona, essa aqui é uma matéria bacana: https://www.tecmundo.com.br/holografia/22409-como-foi-feito-o-holograma-de-tupac-shakur-que-impressionou-o-mundo-.htm). Eu só espero que esse negócio de holograma não vire moda, pois 1) acho muito deprimente, e 2) há inúmeros artistas extremamente talentosos por aí, só esperando por uma chance de destaque na mídia. Esse dueto do Elvis e da Celine, porém, ficou perfeito demais, talvez porque no original, que, aliás, tinha fundo preto, o que eu acredito ter facilitado as coisas (não sei, não entendo disso), o visual do cantor era clássico, parecia quase atual. E as vozes dos dois combinaram, deixando o resultado bonito.

E agora, o vídeo que é o assunto dessa postagem:




Separei para vocês verem, também, o vídeo original do Elvis, de 1968:

  


Para quem ficou curioso, um minidocumentário mostrando os bastidores do clipe e explicando como o efeito foi criado. É em inglês, mas dá pra ter uma ideia pelas imagens. AVISO: para que a coisa não perca a graça, veja este vídeo aqui só depois de assistir ao clipe do Elvis e da Celine, certo?

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

MEXE COM QUEM TÁ QUIETO! AS (NÃO POUCAS) TRETAS DE TIA LUCY



Lucille Ball foi “o Jerry Lewis de saias”, a “Dercy Gonçalves norte-americana”, a diva absoluta do humor. Segundo a maioria das pessoas que a conheceram, foi também uma figuraça – brincalhona, desbocada, fumante inveterada e chegada num bom copo. Porém, quando ela se sentava na cadeira de diretora e produtora, virava uma tirana, com quem poucos atores agüentavam trabalhar. E histórias sobre isso não faltam...



O tal casal


Elizabeth Taylor e Richard Burton foram bons exemplos. Em 1974, Elizabeth e Richard participaram da série “Here’s Lucy”. Na história, o gostosão inglês compra um anel de presente para a morena e resolve levar para ela. No caminho, ele cruza com Lucy, e um incidente provocado por esta (não vou contar, mas pus o link do episódio aí abaixo) atrapalha os planos do galã. Quem assiste tem a impressão que Elizabeth Taylor, Richard Burton e Lucille Ball se divertiram pra caramba gravando tudo aquilo. Em suas memórias, porém, Richard, que era ator shakespeariano treinado, garante que perdeu a paciência com a comediante: “Pessoalmente Lucille não tem charme nenhum, e sua falta de senso de humor é monumental. Na verdade, eu a entendo e até sinto pena dela, pois é uma mulher idosa e cansada (Lucille tinha 63 anos na época), que vive apenas para o trabalho. Mas ela era um monstro que eu poderia ter assassinado se estivesse bêbado!”. Elizabeth também não deixou barato. Perguntada durante um a entrevista quem era o(a) pior diretor(a) com quem ela tinha trabalhado na vida, a eterna Cleópatra mandou na lata: “Sem dúvida, foi Lucille Ball!”



That’s Amore mesmo?


Outro que não gostou de ser dirigido por Lucille Ball foi o charmoso Dean Martin. Na época (1966), o “amore” estrelou um capítulo do “Show da Lucy”, interpretando a si mesmo. Na trama, ele tinha um desastrado encontro romântico com Lucy, mas ela não sabia quem ele era. Segundo Dean, Lucille o deixou maluco, chegando até mesmo a empurrá-lo. Houve um momento em que ele se encheu e berrou: “Se ela tocar em mim mais uma vez, eu vou para casa!”. O curioso foi que, algum tempo depois, já na década de 1970, Dean Martin e Lucille Ball trabalharam juntos no programa “Roast”, criado por ele (e que teve um remake no Brasil, chamado “Fritada”). E o grande barato do programa, não só para mim, mas para todos os telespectadores, era justamente Dean e Lucy falando besteira e zoando adoidado outros artistas – incluindo eles mesmos. Dá pra ver que eles se divertiam com toda aquela palhaçada, tanto no palco quanto nos bastidores.



Só as cachorras!


Joan Crawford, outra diva que tinha pavio curto, também gravou com Lucille nos anos 60 um episódio do “Show da Lucy” (que foi exibido no Brasil pelo SBT no início dos anos 80). Joan estava sempre alcoolizada (ela tirava aquelas garrafinhas de vodca da bolsa) e lutando para lembrar suas falas. Vamos combinar, não deve ter sido fácil para ninguém (nem mesmo para a Tia Lucy) dirigir uma atriz nestas condições. O quebra-pau entre as duas estrelas foi tão grande que a humorista quase pensou em substituir Joan por Gloria Swanson. Dizem até que, no final das gravações, Joan Crawford teria dito: “Lucille é capaz de ser mais cachorra do que eu em qualquer dia da semana!”



A Volta


Mas, por incrível que pareça, a primeira treta que Lucille Ball teve logo no início da sua carreira televisiva foi com ninguém menos que Vivian Vance, a eterna Ethel de “I Love Lucy”. Quando o papel da melhor amiga de Lucy Ricardo foi oferecido a Vivian, ela ficou chateada porque iria ser “escada” de uma atriz com quem não se dava. “Já que o seriado se chamava “I Love LUCY” e tudo girava em torno da personagem da Lucille Ball, eu também precisarei aprender a amar aquela vagabunda”, teria dito Vivian na época que a série começou. Tem gente que diz até que o figurino insosso de Ethel teria sido feito por ordem da própria Lucille, que não queria contracenar com uma artista que fizesse sombra para ela própria. Com a desculpa de “É-para-a-caracterização-da-personagem”, Lucille teria ainda mandado Vivian engordar uns 10 quilos para tornar a companheira de cena menos atraente. Verdade ou não, as duas comediantes acabaram ficando tão amigas que não se desgrudavam, e passaram a trabalhar juntas também no “Show da Lucy”, que Vivian abandonou em 1965, alegando “cansaço e problemas relacionados à vida familiar”. A colega ainda retornou de vez em quando ao seriado da rainha do humor, mas em algumas aparições breves, até 1968. Em 1975, um ano depois de Tia Lucy ter estreado a série “Here’s Lucy”, uma amiga em comum entre ela e Vivian, a apresentadora Dinah Shore, armou um reencontro da diva com a então ex-fiel escudeira, e em frente das câmeras! Dinah chamou Lucille Ball para ser entrevistada, sem que esta soubesse que Vivian estava nos bastidores pronta para entrar. Detalhe: Lucy e Vivian ainda não tinham feito as pazes e estavam há sete anos sem se falar. Quando Vivian surgiu no palco, as duas ex-colegas de seriado começaram a gargalhar e a chorar ao mesmo tempo. Era a primeira vez que elas se viam em todo aquele tempo. Um detalhe hilário deste reencontro é que Lucille Ball, famosa por abominar cabelos brancos e jamais deixá-los visíveis, estava morena (sua cor natural) com mechas brancas por causa da personagem que estava fazendo na época. Vivian, que sabia o quanto era raro a amiga mudar a cor das madeixas, e ainda mais raro ela não disfarçar os inconvenientes fios brancos, saiu com esta: “Finalmente você deixou as raízes do seu cabelo aparecendo, Lucy!”. A cena da reconciliação da dupla de estrelas você vê na Lista de Vídeos aí abaixo, infelizmente sem legenda. Graças a Deus que no final dessa história a amizade superou tudo.



Diva Vs. Diva


Não dá pra deixar de fora da lista o arranca-rabo que Tia Lucy teve, inacreditavelmente, com uma de sua próprias ídolas, a dama do teatro e do cinema, Tallulah Bankhead (1902-1968). Famosa pelo gênio ruim e pela pouca humildade, Tallulah fez uma participação em 1957 em um episódio especial de “I Love Lucy”. Na verdade, o papel tinha sido escrito para Bette Davis, que não pôde assumi-lo, e Tallulah, por ser fã do seriado, ofereceu-se para atuar no lugar de Bette. Em sua autobiografia (infelizmente nunca lançada no Brasil), Tallulah não poupa críticas a Lucille, chamando-a de arrogante e autoritária, e apelidando-a de “Bitchy Ball” (Ball biscate). Entre as histórias cabeludas de bastidores, a Srta. Bankhead conta que a humorista esvaziava no gargalo engradados de garrafas de licor (entregues no próprio estúdio pelo caminhão de uma empresa de bebidas alcoólicas) e ficava tão embriagada que acabava dormindo na rua. Outra revelação feita por Tallulah é que Desi torrava dinheiro com garotas de programa e transava com elas no estacionamento do estúdio. Ela também conta que Lucille ganhava dinheiro para a produção do seriado fazendo filmes pornôs caseiros e prostituindo o filho com pedófilos e que era, digamos, não muito chegada a um banho. Diz também que Lucille Ball mandou aumentar os móveis e fez todo o elenco (exceto ela própria, claro) usar roupas acolchoadas para que ela, Lucille, parecesse mais magra. Tá certo que Tallulah Bankhead nunca foi um exemplo de  sanidade mental e nem de modéstia – eu, pessoalmente, não acredito em nada que ela falou, exceto que Lucille bebia demais e que Desi era mulherengo, pois estes eram fatos mais do que conhecidos. Sem contar que nessa época era Lucy quem estava no auge, e não Tallulah Bankhead. A principal razão dos quebra-paus entre as duas estrelas, na opinião da autora deste blog aqui, era o ego “pequenininho” das duas. A própria Lucille conta que precisou estalar os dedos várias vezes na frente do rosto de Tallulah, pois a diva veterana vinha gravar com a cabeça cheia de álcool, ao contrário da comediante, que estava sempre sóbria em cena. Sou suspeita porque sou muito fã de Lucy e acho Tallulah um monstro de talento. Infelizmente, por questões de direitos autorais, não posso traduzir o texto extraído do livro de Tallulah e reproduzi-lo no meu blog, mas deixo aqui para vocês o link do site (americano) onde uma alma muy caridosa (americana) postou este capítulo da obra: http://alt.tv.ilovelucy.narkive.com/axHsICUU/tallulah-bankhead-speaks-about-lucy.


              Conclusão


Apesar do temperamento difícil que parecia se apossar de Lucille Ball toda vez que a humorista atuava como diretora e produtora, é preciso reconhecer: nenhuma outra mulher foi tão talentosa na história da mídia mundial. A melhor prova da importância do seu trabalho é a molecada da novíssima geração (crianças e adolescentes do século XXI) que está redescobrindo sua obra. E não vamos esquecer outra coisa fundamental: como diretora de TV, Lucille abriu um espaço importante para as mulheres, pois ela foi a primeira a exercer essa função. Com treta ou sem treta, Tia Lucy era única e insubstituível, e talvez tenha sido a artista mais amada da história da televisão, teatro, cinema, rádio, e de quaisquer outros veículos de comunicação onde ela tenha se metido. Ou, como o próprio Desi Arnaz certa vez falou, “I Love Lucy” nunca foi apenas um título.



VÍDEOS CITADOS NA MATÉRIA


“Here’s Lucy”: Lucy, Elizabeth Taylor e Richard Burton (1974) – primeira parte:

“Here’s Lucy”: Lucy, Elizabeth Taylor e Richard Burton (1974) – segunda parte:

“Show da Lucy”: Lucy Namora Dean Martin (1966):

“Show da Lucy”: Lucy e Joan Crawford:

Episódio do programa “Roast” (1975):

Reencontro de Lucille Ball e Vivian Vance:

    Lucille Ball e Tallulah Bankhead:

    
Playlist completa da matéria:



FONTES
http://desiandlucy4ever.blogspot.com.br/2014/01/important-people-in-lucille-balls-life.html

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

DVD – IRENE, A TEIMOSA


My Man Godfrey
Ano de produção: 1936
Direção: Gregory La Cava
Elenco: William Powell, Carole Lombard, Alice Brady, Gail Patrick, Mischa Auer.
Duração: 96 minutos
Original em P&B, mas DVD também dispõe da versão colorizada
Gravadora: LW Microservice






Existem filmes que a crítica não considera grande coisa, talvez por parecerem bobos – esses filmes, por causa disso, acabam caindo praticamente no esquecimento. Graças ao bom Deus, uma série destas produções (a maioria delas das décadas de 1930 e 1960) vem sendo resgatadas por uma geração totalmente nova de fãs de cinema. Uma destas pérolas é justamente “Irene, A Teimosa”. Aparentemente bobinha, esta comédia maluca (ou “screwball comedy”, como era chamado este gênero nos anos 30) carrega muita crítica social, e ironiza especialmente a diferença de classes. Na verdade, a principal crítica do filme não é exatamente aos ricos, mas àqueles ricos fúteis, mesquinhos e, hã, como direi, com tempo livre em excesso. Tudo começa quando o ex-milionário Godfrey (William Powell) é encontrado fuçando no lixão de Nova York. Quem o acha lá são duas irmãs patricinhas, a asquerosa Cornelia (Gail Patrick, tão antipática que rouba a cena) e a carente Irene (Carole Lombard, brilhantemente engraçada). Depois de uma confusão em uma festa (não vou estragar seu prazer contando o que é), Irene, pensando que ele é de fato um mendigo, resolve contratar o rapaz para trabalhar como mordomo na casa da família dela. O rapaz aceita, sem nem imaginar no que está se metendo: Angelica (a ótima Alice Brady), a mãe das duas moças, sofre de ataques de loucura e tem um amante (ou melhor, “protegido”) italiano e jovem, o músico Carlo (Mischa Auer), que ela trata como uma mistura de cachorrinho de estimação e filho. Alexander Bullock (Eugene Pallette), o pai, parece ser o típico corno manso. As irmãs não se bicam, e Cornelia é preconceituosa e trata o novo funcionário da pior forma possível. Já Irene tenta compensar a solidão com a presença dele. A única pessoa naquela casa que parece ter os pés no chão é Molly (Jean Dixon), a criada que conhece bem todas as esquisitices de cada um dos Bullock e ensina a Godfrey como lidar com eles. Mas de repente, um velho amigo de Godfrey entra na história e... Deixo o resto para você assistir. Mesmo com o jeitão de teatro filmado tão característico do cinema da década de 1930, “Irene, A Teimosa” é absurdamente atual. Apesar de leve e divertido, envolve os personagens em situações que dão o que pensar. O final (e você sabe que aqui NÃO se entrega final!) é uma bela sugestão de projeto social, que eu diria até que era avançada para aquela época. Os personagens são todos caricatos, mas lembram muito figuras do mundo de hoje, e praticamente todos os diálogos parecem coisa dos tempos que vivemos agora. Gregory La Cava, o diretor, é quem assina o roteiro, em parceria com Morrie Ryskind e o autor do livro em que o filme foi baseado, Eric Hatch. Não sei qual desses três caras era o visionário – acho que todos eles eram visionários e com uma baita observação do comportamento humano, coisa que eu considero essencial para um bom escritor de comédias. Uma curiosidade sobre o DVD de “Irene, A Teimosa” é que ele traz duas versões do filme: a original, em preto e branco, e a colorizada. Eu, que normalmente sou avessa a colorizações, achei que esta ficou razoável, embora passe longe da beleza fenomenal do Technicolor. A abertura em cores ficou simplesmente linda, e dá uma sensação de viagem no tempo. Os figurinos (babei com os vestidos das atrizes!) ficou ainda mais bonito na versão colorizada. Mas quem preferir, pode apreciar o clássico da forma como ele foi originalmente produzido e lançado, ou seja, na sua versão em preto e branco que, abençoadamente, foi incluída no próprio DVD. Enfim, acho injusto que filmes como “Irene, A Teimosa” caiam no esquecimento apenas por causa da data em que foram produzidos, enquanto inúmeros abacaxis pós-1980 sejam exibidos o tempo todo na televisão. Abençoadamente, este DVD foi relançado, e com preço acessível - um presentaço para os órfãos da Sessão da Tarde Que Prestava.






CURIOSIDADES
● O papel de Irene foi feito originalmente para Constance Bennett. Mas o astro William Powel disse que só aceitaria atuar no filme se Carole Lombard interpretasse a personagem. O diretor Gregory La Cava, que sabia o quanto Powell era talentoso e seria o Godfrey perfeito, graças a Deus concordou.
● Indicado para os Oscars de Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Roteiro, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Ator Coadjuvante, “Irene, A Teimosa” não venceu em nenhuma (!!!). Porém, foi considerado “culturalmente significativo” em 1999 pela Biblioteca do Congresso dos EUA, selecionado para preservação pelo National Film Registry e considerado pelo AFI (sim, “aquele” que “não me representa”) como “uma das 100 comédias mais engraçadas de todos os tempos em uma lista elaborada no ano 2000. Por que tão tarde?
● Foi o primeiro filme a ser indicado para as quatro categorias de atores, façanha que nem mesmo “Grande Hotel” (1932) havia conseguido.
● A história foi adaptada para rádio e teatro, e em 1957 ganhou um remake com David Niven no papel de Godfrey.


EXTRAS
Nenhum, apenas o trailer original em preto e branco.

EMBALAGEM
Simples, mas pelo menos tem uma ilustração bonita e bem escolhida para a capa.


Trailer do filme (Em P&B):





FONTES

http://www.glamamor.com/2012/03/cinema-style-file-art-deco-of-comedy-in.html